Acreditas que, quando aqui cheguei, gastei tres horas deste tempo futuro a arrumar camisolas, blusas, calcas, saias, casacos, cuecas, sutiens, meias, sapatos e medicamentos? Quer dizer, misturei as coisas do passado com o tempo do futuro e como a pessoa que eu era no passado j’a nao nao ‘e a mesma deste futuro, achei-me tonta por ter trazido tanta roupa, as camisolas chamadas de meia estacao, que ja sao quentes na Primavera, em Lisboa, quanto mais neste clima tropical onde agora vivo!
Um clima tropical ‘e aquele onde chove e as pessoas nao se importam, porque continuam a suar muito com o calor e, portanto, ‘e como se andassem sempre ‘a chuva. ‘E que nem sabem se estao molhadas da chuva ou do calor, que lhes poe gotinhas de ‘agua no s’itio dos bigodes, mesmo quando nao chove!
Entao enchi uma prateleira com sapatos que desconfio que nunca calcarei. Lembrei-me logo de uma senhora que havia por c’a antigamente, por estas paragens. Chamava-se Imelda e nao era nada est’upida, mas sim viciada em muitas coisas, entre elas, milhares e milhares de sapatos de todas as cores e feitios.
Se calhar, quando voltar a ver-te, estarei tao diferente que j’a saberei melhor o que sao os p’es e para que servem. E vou saber ouvir o que me dizem os p’es quando me doem, que era uma coisa a que a Imelda nao devia ligar nenhuma, penso eu..
‘E pena que a maior parte das senhoras daqui, ao contrario da Imelda, nao gostem de calcar sapatos, senao j’a tinha a quem os dar,
Ser’a que vou ficar como elas? Com a pele um pouco mais escura e com muito menos vontade de me ver ao espelho?
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