sexta-feira, 30 de maio de 2008

Onde fica o futuro?

Dez horas depois de ter saido de Londres, o aviao, minha princesa, comeca a entrar na manha do dia seguinte. Eu e o aviao fizemos, nesse tempo, uma viagem em direccao ao futuro. Onde tu estas ‘e passado, ‘e ontem.

Imaginas como o meu corpo se sente? Teve que aprender a viver num tempo que ele ainda nao conhecia e a que ainda nao estava adaptado, porque pensava que ainda vivia  -  e vivia mesmo  -  nesse passado que tu agora tens a’i! Vee tu bem: O meu corpo pensa que quer deitar-se, quando o que ele tem que fazer ‘e de acordar para o novo dia do futuro! Vai andar triste, cansado e inquieto, durante algum tempo, a pensar que lhe pregaram uma partida, mas depois passa-lhe e ele esquece-se de que era um corpo de ontem e passa, todo feliz, a ser um corpo de amanha.

Um dia talvez possa explicar-te melhor tudo isto que tu, afinal, ja sabes, mas ainda nao percebeste, minha bela princesa.

E, logo que possa, te direi, entao, onde fica o futuro.

 

quinta-feira, 29 de maio de 2008

O que se v'e do c'eu

Do ceu v’em-se muitas coisas, minha princesa. E todas envolvidas em silencio, mesmo aquela que foi chamada de bomba at’omica e a que tu um dia saberas chamar outro nome qualquer, tambem adequado.

 

Por exemplo, vem-se os campos cultivados, a volta de uma cidade a que chamam Londres. Ha campos pintados de amarelo, como o teu cabelo, sabes? Devem ser campos de trevo. Sao trevos de quatro folhas, muito raros, tao raros que as vezes so os olhos das criancas os conseguem encontrar. E ve-se uma arvore torturada, que ‘e o fim dum rio chamado Tamisa. ‘E uma arvore as vezes cinzenta, outras vezes azul ou amarela, dependendo do tipo de lixo que lhe deitam para dentro. Mas c’a do c’eu at’e parece uma pintura que tenhas feito nessa folha branca a tua frente. ‘E bom ver as coisas do ceu, minha Princesa!

 

Depois ha um fundo todo azul, o grande oceano, por muitas e muitas horas ou outra medida de tempo ou espaco que ha-de ser inventada, talvez por ti. Um mar de azul! Pressinto a sua frescura inconformada, vejo-o como um velho grande, um homem bom, de barba branca, livre, por fim, de todos os objectos. O velho saboreia os sons do vento e os cheiros que ele traz.

 

Um dia, eu sei, iras num barco grande, que risque o mar, conhecer a imensidao do azul que la existe. E diras que es feliz.

Viajar de aviao

Minha princesa,

Aos cinquenta e quarto anos percebi que, afinal, nunca tinha viajado de aviao, ao contrario do que pensava ate agora. Falo de viajar completamente sozinha, num mundo inospito e funcional, onde nos assemelhamos a um carrinho metalico, que nao tem meios de se queixar, ainda que lhe facam muitas mossas.

 

Nesta ultima viagem de aviao, caminhei quilometros por corredores que estao fora e dentro da minha paciencia. Dormi duas horas, acordada ha seis, ainda so me encontrei em Londres, a espera que um aviao, povoado por um linguarejar estranho e gutural a espera que o aviao levantasse voo para uma cidade onde as arvores ja foram ha muito tempo substituidas por predios que tocam os pes de deus. E as macas vermelhas, as laranjas amarelas, as peras verdes, foram substituidas por luzes estridentes que nos justificam na cabeca a necessidade de comprar um sonho qualquer, que, bem vistas as coisas, nao o ‘e.

 

Lembro-me da tua cara branca, das duas rosas que a decoram, das palavras claras que aplicas como se fosses um adulto. Lembro-me do teu corpo franzino e esquivo, da tua natural desconfianca dos parentes a mais, que o sangue nao explica. Vejo-te completa e sei que tens razao. E sei que tenho inveja de nao ser pequenina como tu, para poder pedir a alguem que me de a mao ou me leve ao colo, mais todos os objectos pesados que carrego e carregarei as costas ate ao fim desta viagem.

 

quarta-feira, 28 de maio de 2008

De longe

 

Escrevo para aqui pela primeira vez, num teclado estranho, que por vezes nao preve a existencia de palavras tonicas.

Tenho escrito umas coisas. As que estão no computador, um dia virao para aqui tambem. As que estão à mão, são cartas à minha neta, onde me transformo num ser ainda mais pequenino. Quem sabe o que lhes farei!

Tenho lido muito, comido pouca carne e pouco peixe, aproveitado os benefícios da solidão transitória. Tenho caminhado a pé, ido nadar em águas calmas e quentes, apanhado sol, entrado em algumas aventuras.

Tenho pensado muito sobre a chamada civilização e sobre os magotes de gente civilizada que andam por aqui a ver se pescam alguma coisa numa imaginada/sonhada rede electrónica.

Sinto-me perto de coisas que me cheiram bem, apesar de cheirarem muito mal.

Agora,

Estou a ouvir música e a trabalhar numa casa enorme, muito velha, com 4,5m de pé direito, pintada de branco e azul turquesa. Do lado direito tenho o mar e os pescadores, que acham graça a lagostins furiosos. Muitas tendas de realojados, roupa estendida, poças de água que servem para tudo. Há um rato e uma osga que por vezes nos fazem companhia. Há muita gente ansiosa por saber e mudar e muitos mais que dizem que ninguém quer saber nem mudar. Os segundos vão vencendo, claro... para seu próprio benefício e auto-justificação.

 

 

I

 

 

asco

Morreu o Sydney Pollack. E lembro-me da Africa dele.

"Quando se tem uma carreira como a minha, tão identificada com Hollywood, com os grandes estúdios e as grandes estrelas, é inevitável que uma pessoa se pergunte se não devia ir à sua vida e fazer aquilo que o mundo considera filmes pessoais. Mas eu acho que enganei toda a gente. Eu sempre fiz filmes pessoais – só que os fiz noutro formato.”

Vi-o e vejo-o como um homem que soube transbordar a nossa imaginação, que nos deu uma capaidade de sonho que não tinhamos, que nos ajudou a realizar projectos e ideias. Aprendendo sempre com prazer de ver a beleza que ele tinha imaginado dar-nos.

Consegues contar as vezes que viste o Africa Minha? E o Tootsie? E aquela cena em que a Karen se senta no alpendre a ouvir as àrias de Mozart, no centro da paisagem Quéniana? É dele, de certeza, não estava no livro.

E agradeço-lhe.

Até já. Vamos à vida e a novos Pollacks.

Um beijo

segunda-feira, 26 de maio de 2008

esquema

Tem esquema no pedaço. A Maria ainda a trabalhar e eu a semi-fingir que trabalho. É óbvio que a notícia do dia é a admissão à Clássica, em Direito, do Sr. N. Se não estivesse tão cansado, era menino para ir abrir uma garrafita de Bollinger com ele.

Continua a chover e Lisboa está tão melancólica...

O fim-de-semana foi fixe, com melhores e piores fases. Trabalhou-se muito, para e pela I, para e pelo inbróglio e pouco para a CRMN. Mas jantamos com o P ontém e foi uma soirée animada e divertida.

Fiquei feliz de falar contigo de manhã e de saber que o teu portátil aderiu aos trópicos, consentâneo com o espírito do empreendimento.

E também sei que vais receber este post na tua caixa de correio de manhã.. Até já.

Beijos

sábado, 24 de maio de 2008

entrada directa para amanhã

Olá.

Hoje fui admitido num novo mestrado. E logo com duas equivalências a cadeiras do primeiro semestre. Bom.

Tive um dia “lukewarm”, fruto do feriado de ontem, mas, ainda assim, produtivo. Almocei com o B e tive uma conversa engraçada sobre, principalmente o futuro (baba-se com o puto). Ainda anda às apalpadelas, o nosso relacionamento. Mas acho que vai no bom caminho.

Saí cedo (por volta das cinco) e fui com a I às compras para a B e para nós. Aproveitei e marquei dois pontos nas BD’s, uma, nova do Hermann, e outra do homem mais rápido a sacar do que as raparigas a corar quando olham para ele. Compramos uma malinha toda bonita: de menina que faz dez anos, ou como diz o R, que já deu dez voltas ao astro rei.

Amanhã eu e a I vamos à festa, que já está marcada pelas questões do novelo que há para desembrulhar. O material é velho, mas há que desenrolá-lo, ou não fosse esta uma casa portuguesa “concerteza”, já sabes.

Era para ir amanhã visitar o meu amigo T-fígado, mas ele está fora (felizmente) este fim-de-semana. É pena. Era uma oportunidade para ver outro amigo, o G, que se vai divorciar na segunda-feira, de um casamento que ainda não fez um ano e uma amiga a D de quem tenho saudades. Fica para a próxima.

A I está bem e recomenda-se. Fiz-lhe um jantar “à maneira”, apesar do mau jeito de quem ainda não está totalmente em casa, ou seja, “são os pormenores, estúpido!”. Há-de sair perfeito, empiricamente.

De resto tudo bem, apesar desta pontada na garganta e deste Inverno em Lisboa, tãããoo ameno… Um beijo.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

de cão

Dois relatórios de auditorias, dois projectos de infra-estrutura, duas aplicações, um concurso, duas actualizações processuais, um serviço e uma empresa para gerir. A papelada enche-me o cérebro e o espírito, deixa-me cortante e esgotado. Começar, sim, mas por onde? Trabalhar, também, mas...

Já dizem os compêndios, quando temos um problema muito grande, dividimos em problemas mais pequenos e resolvemos um a um. Mas o problema é que vamos dividindo, dividindo e a lista, além de aumentar, vai acumulando.

Enfim.

Os ciganos também têm uma gira (dito com um grande sorriso na cara):

"Quando tens um problema, resolves com dinheiro! E se não conseguires resolver com dinheiro... Consegues resolver com MUITO dinheiro!"

(não tenho, escolho a opção a) e com uma boa noite de sono)

Um beijo e até já.

terça-feira, 20 de maio de 2008

radar "save our souls"

Olá. Hoje foi dia da Marinha. Isto significa que foi dia de descanso, para alguns. É certo que peguei às 11, mas peguei duro. Estive a preparar duas auditorias que vou coordenar amanhã, a processos centrais no nosso sistema. Comi uma butcha ainda a trabalhar, que tinha levado de casa..

Depois fui ter com o JP a casa dele para lhe resolver problemas do foro do costume e, claro, reatamos a amizade que nos une, imediatamente, assim que entrei na porta. Três jolas a mielas depois e com os problemas ainda por resolver, a conversa resvala, invariavelmente para a música. E para a radar, especificamente.

As viagens de cada um, as interpretações e as sensibilidades, gostos, pelo que se produz de tão bom naquela rádio. Um elo de ligação que nos une. A todos.

Ele está bem, felizmente.

É claro que as jolas levaram a melhor e ficaram problemas por resolver...

Beijo.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Bons dias!

Quinze depois do quinze. São 14 mil e meio, arredondadas para quinze mil. Têm vários objectivos, mas primordialmente, serão para cometermos o pecado da distância que aproxima, numa espécie de milagre de "falo-te-mais-agora-que-tens-tempo-do-que-falava-quando-estavas-perto-de-mim-!" que envergonha, mas que, em sí, é também uma espécie de redenção.

Da minha parte, para já, garanto esforço e dedicação. Mais tarde, junto à baía de Dili, posso garantir uns mojitos, para acalmar o estomago.

Um beijo e até já.