quinta-feira, 29 de maio de 2008

O que se v'e do c'eu

Do ceu v’em-se muitas coisas, minha princesa. E todas envolvidas em silencio, mesmo aquela que foi chamada de bomba at’omica e a que tu um dia saberas chamar outro nome qualquer, tambem adequado.

 

Por exemplo, vem-se os campos cultivados, a volta de uma cidade a que chamam Londres. Ha campos pintados de amarelo, como o teu cabelo, sabes? Devem ser campos de trevo. Sao trevos de quatro folhas, muito raros, tao raros que as vezes so os olhos das criancas os conseguem encontrar. E ve-se uma arvore torturada, que ‘e o fim dum rio chamado Tamisa. ‘E uma arvore as vezes cinzenta, outras vezes azul ou amarela, dependendo do tipo de lixo que lhe deitam para dentro. Mas c’a do c’eu at’e parece uma pintura que tenhas feito nessa folha branca a tua frente. ‘E bom ver as coisas do ceu, minha Princesa!

 

Depois ha um fundo todo azul, o grande oceano, por muitas e muitas horas ou outra medida de tempo ou espaco que ha-de ser inventada, talvez por ti. Um mar de azul! Pressinto a sua frescura inconformada, vejo-o como um velho grande, um homem bom, de barba branca, livre, por fim, de todos os objectos. O velho saboreia os sons do vento e os cheiros que ele traz.

 

Um dia, eu sei, iras num barco grande, que risque o mar, conhecer a imensidao do azul que la existe. E diras que es feliz.

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