Simplesmente estranha, a última quarta-feira. Foi o materializar de todos os pressupostos de um fim anunciado de uma civilização. Ou melhor, do estilo de vida de uma civilização. O pânico gerado pela necessidade de obter as últimas gotas de combustíveis fósseis, aliado ao facto de 93% dos produtos de bens alimentares em Portugal estarem associados directamente ao transporte rodoviário, revelou bem a fragilidade desta sociedade, desta farsa de que nos alimentamos. É verdade que esta era uma situação temporária, criada por um protesto que teria solução, mas também é verdade que todas as pessoas fecham os olhos, governantes incluidos, à dependência da sua segurança, seja ela da forma que for, à preciosa gota. Quando o barril de petróleo estiver a 200 dolares no final do ano e a taxa de indexação dos créditos à habitação (que está ligada ao preço do petróleo) for totalmente incomportável para a grande maioria dos Portugueses, qual é a alternantiva? O cenário de anteontem é muito preocupante, na medida em que ninguém tem uma ideia definida de alternativa ao caos. Não existe sustentabilidade na forma como levamos as nossas vidas e realizamos os nossos instintos básicos.
Costuma dizer-se que entre a civilização e o caos vão apenas quatro refeições, nestas sociedades habituadas ao luxo do consumo.
Admito que o governo se saíu bem deste embróglio, reconhecendo a fragilidade e actuando com objectivos de compromisso bem definidos e sem recorrer nunca à violência, mostrando no entanto a presença da força para sustentar a sua responsabilidade. Era bom que agora, após a lição, considerassem alternativas de distribuição, já não digo de combustivel, mas de bens e matérias essenciais, de forma a reduzir a dependência dos dinossáurios a tempo da sua escassez.
O banco mundial afirmou esta semana que a escalada de preços dos combustiveis se vai acentuar durante os próximos três anos, estabilizando de seguida. As taxas de juros vão subir de acordo com esta premissa e vão descer depois. Isto significa que o custo de vida vai manter-se insustentável durante pelo menos os próximos dez anos. Que alternativas temos? O que é que podemos fazer? Ou vamos ficar à espera que o céu nos caia em cima da cabeça? Não afirmo isto numa prespectiva de pânico, mas numa ordem de ideias obtidas através da análise racional da informação de que disponho. A lógica diz-me que tenho de agir, ou pelo menos tentar.
Vou fazer 33 por estes dias e cabe-me a mim assumir parte das responsabilidades inerentes às dificuldades que aí vêm.
PS: A Renault-Nissan anunciou, precisamente na quarta-feira, o lançamento do primeiro carro totalmente eléctrico até ao final do ano de 2010, com autonomia para 500km e rápido recarregamento. Visão ou realidade? Realidade. Cinismo ou Sentido de oportunidade? Oportunidade, sem dúvida. Vai vender-se como água no deserto.
Um beijo e até já, ó tu que dormes num leito de dinossáurios.
J
sexta-feira, 13 de junho de 2008
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1 comentário:
O ciclo na vida não pára. O final de uma história obriga sempre ao princípio de outra, se é que me faço entender.
E ainda bem que estamos a chegar ao fim desta! Palavras do um espectador forçado a ouvir uma história que insiste em prolongar-se, mesmo sendo esta tããão mal contada..
Talvez seja desta:
"Era uma vez, num planeta renascido,
as energias alternativas..."
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